domingo, 4 de agosto de 2013

Análise [10] - 999: 9 Hours, 9 Persons, 9 Doors - Sua vida na balança entre puzzles e conspirações

Jogos Mortais? Pffft, se fosse tão de boa assim...
O jogo é Kyokugen Dasshutsu: 9-Jikan, 9-Nin, 9 no Tobira. Soa familiar? Não? Bem, o nome do ocidente é 999: 9 Hours, 9 Persons, 9 Doors. É um jogo publicado pela minha amada Aksys (mesma que publica/localiza os jogos de Blazblue e Fate/Extra, além de Record of Agarest War e Guilty Gear) e desenvolvido pela Chunsoft (que produziu o famoso Kamaitachi no Yoru, um dos percursores de visual novels no ocidente, e Dragon Warrior) e que é um jogo único, uma pérola na biblioteca de jogos do Nintendo DS, um dos portáteis que tiveram poucas visual novels publicadas, e das que têm, menos ainda foram traduzidas para o inglês oficialmente. MAS, das que foram, nem preciso falar que boa parte delas conquistou o coração de muita gente ao redor do mundo, como Phoenix Wright.

Ah, mas esse jogo é uma das voltas de montanha-russa mais viciante que você vai jogar no momento que você dá o "New Game". Por ser uma visual novel, ela tem quilos de textos para você ler e algumas escolhas no decorrer dela, quase todas elas cruciais para determinar o final que você atingirá do jogo. Mas, ao contrário da sua VN convencional de PC, ela não se foca apenas no texto ou em algum elemento de RPG, mas sim em puzzles em muitos cômodos que você visita durante a história, o que ajuda a quebrar a monotonicidade e pôr mais interação para o jogador.

... ei, porque eu tô dando o texto de análise de lambuja sem nem falar dos tópicos que eu sempre falo? Vamos começar a nossa análise!

História e Rotas

O jogo começa de maneira bem estranha, onde o nosso protagonista, Junpei, acorda repentinamente em um quarto de um navio, e mesmo com tantas perguntas a responder em como ele foi parar lá, ele deve encontrar um jeito de resolver um puzzle, ou quebra-cabeça, para sair do seu quarto, sob risco de poder morrer. Ele eventualmente resolve o puzzle e se lembra que um cara misterioso entrou no quarto dele e o fez ficar inconsciente, colocando-o neste navio.

Após um tempo, ele se encontra com mais 8 pessoas dentro do mesmo navio, todos com o mesmo objetivo: sair de lá vivos. Um estranho comunicado é enviado para eles onde todos as pessoas presas no navio devem participar de um jogo, o chamado "nonary game" ("jogo nonário", sendo que nonário quer dizer base 9) para achar a misteriosa porta "9" que os permitirá sair de tal pesadelo, mas se depois de nove horas eles não conseguirem, todos irão afundar junto com o navio.

Quando se pensa que o jogo não se passa de uma série de quebra-cabeças, o organizador do jogo, Zero, citqa algumas regras sobre como o jogo funcionará, explicando que cada membro tem uma espécie de relógio numerado, de 1 a 9, que devem ser usados em portas, também numeradas, para terem acessos a elas, onde aguardam mais puzzles que, no final, renderão objetos cruciais para achar a tal porta 9. Descumprir as regras pode inclusive levar à morte, algo que o time de jogadores descobre da pior maneira. Cabe então à você resolver os quebra-cabeças das portas numeradas e desenvolver o raciocínio certo para prosseguir (e sobre como prosseguir também, já que dependendo dos membros que vão em cada porta, a história pode mudar drasticamente) e fazer de tudo para sair de lá vivo, desconfiando de tudo e de todos, uma vez que sempre haverá cenas no decorrer do jogo que o fará desconfiar dos demais participantes.

O jogo possui 6 finais diferentes, sendo 4 deles Bad Ends (os finais tristes da história, mas que dá pistas para o jogador para saber quem está conspirando no jogo e até mesmo das histórias de cada um, dando um pouco de background para o jogo), um ending considerado normal (mas que acaba de uma maneira quase ilógica) e o famoso True End, o final verdadeiro, onde não há mortes desnecessárias, explica uma renca de coisa e é aquele tipo de final de compensa a enorme quantidade de bad ends e ainda deixa um "gap" no final, que é uma das coisas mais chocantes possíveis (e que só deve ser explicado na continuação, Virtue's Last Reward). O jogo rende umas boas 20 horas de jogatina para obter todos os finais, mas que fique a minha dica: se você for pro true end do jogo, abra um detonado, pois muitas escolhas que aparentemente não fazem sentido dão uma baita diferença no decorrer da história... ainda mais o true end, que diga-se de passagem, o jogador deve ter o ending normal primeiro antes de fazer a rota pro True End, senão acaba num dos piores bad ends possíveis.

Traços, Trilha Sonora e Animação
Putz, pior que eu curto pra caramba imagens nesse estilão! ^^
Os gráficos não é lá dos melhores, mesmo considerando ser uma visual novel para o DS, que tem consideravelmente menos potência gráfica que um PSP. Os personagens são todos renderizados em sprites, então há um certo grau de pixalização nos contornos deles, mas nas animações deles, ou nas poucas animações e objetos em 3D que o jogo tem, o efeito é bem fluente e com um toque "animesco", dando um bom efeito final. O jogo até possui várias CGs no decorrer da história, mas não há opção para sumir com a caixa de diálogo para vê-las melhor (ainda mais por serem de baixa resolução), e as imagens de fundo lembram bastante os jogos da série Resident Evil originais, os fundos em FMV, que dão um bom grau de realismo ao cenário e detalhismo para pistas pequenas e coisas do tipo.

A trilha sonora já é algo que eu realmente me impressionei para um jogo do portátil, uma vez que há dezenas de músicas diferentes no jogo, todas elas com tempos e ritmos diferentes, sempre a deixar o jogador nas pontas do pé a qualquer momento, além de serem músicas mais encorpadas, ao invés das músicas em MIDI ou .wav de baixa amostragem como geralmente é.

Opinião
Vai ter puzzle pra caramba pro seu cérebro trabalhar, mas fica tranquilo que o jogo te dá instruções... algumas.
O jogo é excelente em deixar o jogador dentro da atmosfera do mesmo. O perigo é sempre eminente, e sempre há cenas e comportamentos que o deixará desconfiando de vários personagens. A morte é iminente, e o jogo se enfoca muito nisso. Mesmo com cada personagem tendo as suas histórias (que pra alguns são bem mais profundas e complexas que outros), todos podem morrer, e na boa parte das vezes, você vai acabar morrendo por não entender as entrelinhas do jogo nonário por completo ou por achar que algo é simplesmente impossível.

Uma das grandes desvantagens desse jogo é justamente uma de suas grandes vantagens: fazer o jogador não tratar 999 como um mero jogo de puzzle, mas sim como um jogo de lógica, onde não se deve simplesmente pular os diálogos ou deixar passar alguma informação que não se repetirá mais, desconfiar até do mais inocente e escolher ouvir ao invés de "rushar a resolução de algum problema". Isso é uma jogada de mestre, já que o jogo, em vários momentos, dá pistas que parece não fazer sentido ou que é simplesmente uma curiosidade mundana, mas que, conversando com os personagens certos, desenvolve um raciocínio muito elaborado que acaba por revelar as verdadeiras intenções de alguns dos jogadores e até mesmo do motivo de serem esses os jogadores do jogo nonário. Em contra partida, o jogo espalha muitas dessas pistas em Bad Ends dele, e para aquele jogador, que quer saber como a história realmente acaba, terá que fazer boa parte, senão todos eles, e ainda pensar um bom bocado e notar em coisas que os outros jogadores não prestam muita atenção, para descobrir como seguir em frente. Junte isso ao fato de que o jogo possui apenas uma bateria para salvar o jogo e que, ao chegar num bad end, deve-se fazer os puzzles iniciais todos novamente, é um bom desmotivador para o jogador que quer zerar o jogo rapidamente e ir pro próximo sem ajuda de detonados.

Mas ainda temos vários pontos positivos no jogo. Vários puzzles diferenciados, muita informação e curiosidades legais (apesar de outras, de fato, são inventadas pro bem do jogo, mas que ainda assim se baseia em vários estudos e relatos de verdade), personagens bem distintos, muita lógica para decifrar os problemas, e claro, várias cenas que lhe surpreendem quase que à cada minuto com fatos que parecem até quebrar um raciocínio perfeito, mas que não é tão perfeito assim no final das contas.

Em praticamente 20 puzzles ao todo, mesmo que alguns puzzles se resolvam praticamente sozinhos, têm outros que são muito bem elaborados e podem dar um bom trabalho para aqueles que não estão acostumados (porém, não impossível) com exercícios desse tipo. Desde apenas descobrir sequências numéricas quase que na cara até tradução de código morse, desde completar um desenho até resolver um jogo de Sudoku, desde fazer adição em hexadecimal até decifrar mensagens poéticas... enfim, variedade é o que não falta, o que deve agradar os jogadores que gostam desse tipo de passatempo (ou mesmo os que tiveram pouco contato, mas que têm grande potencial).

Todavia, por causa do grande número de bad ends e pistas discretas, o jogador pode ficar irritado (eu mesmo fiquei em alguns momentos) por não chegar no final que queria, e por isso eu considero o jogo difícil, mesmo para uma visual novel. Bad ends diferentes podem levantar suspeitas contra a pessoa errada, ou mesmo deixá-la confusa. Chega até a ser injusto, por exemplo, a terceira escolha do jogo ser aquela que praticamente determinará se o jogador alcançará o true end ou o final normal apenas por escolher uma porta, e com uma escolha errada podendo resultar num bad end que corta o coração (ou outra parte do corpo). Se for pensar bastante após completar um bad end, faz sentido, mas inicialmente, isso pode frustrar o jogador (ainda mais que não dá pra pegar o true end na primeira jogatina... ou seja, se fez a escolha errada, fudeu). Por mais doído que seja para o orgulho gamer da pessoa, eu recomendo que jogue com um detonado para evitar reações desnecessárias, mas uma coisa eu garanto: o final verdadeiro do jogo vale a pena cada hora investida nele. É bom nesse nível.

Veredito Final
Você acha que os dois terminam juntos? Hah, você terá uma boa surpresa... dependendo do final que você pegar, né xP
 Pontos Fortes 
      *Jogo viciante
      *Atmosfera do jogo é excelente, com história bem complexa e curiosidades bem legais
      *Trilha sonora
      *Puzzles muito bem bolados
      *O true end

 - Pontos Fracos
      *Muitos bad ends pode frustrar o jogador
      *Apenas uma bateria para salvar o jogo
      *Certos puzzles são difíceis demais ou com pistas muito escondidas
      *Não há um modo de visualização de CGs

Nota: 8,5/10

Opinião final: É um jogão, não tenha dúvida disso. Se fosse contar emocionalmente o true end do jogo, ele mereceria um 10 fácil pelas explicações e pelo próprio desenrolar do final do jogo, mas infelizmente, não tem como desconsiderar a frustração de alguns bad ends quando você acha que solucionou vários dos mistérios do jogo e seus personagens.

Se você tem um DS ou um computador bom o suficiente para rodar um emulador, vale muito a pena jogar esse jogo, pois é uma experiência inigualável, ainda mais para quem possivelmente não gosta ou nunca jogou visual novels, mas adora jogos de raciocínio lógico (CRIMINAL CASE NÃO CONTA!) e quer jogar algo que o surpreenda.

O jogo vai te lembrar de muitos outros jogos e animes de temas semelhantes, como o recente anime Danganronpa, e já vai o aviso: se você tá gostando do anime, jogue este jogo que você não vai se arrepender. A atmosfera e o desenvolvimento do jogo é muito semelhante ao da série e o jogo te prenderá muito facilmente. Por mais que o jogo te castigue com bad ends, não desista! É uma história com um caminho turvo e traiçoeiro, mas se você passar por tudo isso, verá a maravilha que este jogo é e o fará se apaixonar ainda mais pela série... que como disse antes, tem uma continuação para 3DS e Vita em inglês que também vale muito a pena a conferida... ah, bateu até uma vontade de comprar um 3DS só pra jogar esse jogo... quem sabe a hora não chega logo, né? xD

RUN FOR IT!
E com isso terminamos a nossa décima análise de visual novel. Wohoo! Tenham um bom final de semana, e até a próxima!
Out.

Um comentário:

  1. Terminei este em novembro no DS, jogo muito bom também... tive q recorrer ao detonado pra fazer o true end, já tinha feito todos os finais (menos o do caixão) e não sabia q decisão minha q tava influenciando o final... o zero escape 2 ajudou muito isto criando a "árvore"... mas teve um final inesperado e incrível, nunca imaginaria aquele final... E de novo, puzzles na medida certa, uns fáceis e outros mais difíceis, mas não impossível... a não pra geração atual que são bons em reflexos e não raciocínio *-*... hauiaha

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